O que os clientes procuram ao pesquisar um advogado
Quem pesquisa um advogado geralmente não está procurando apenas um nome ou um escritório próximo. Na maioria das situações, existe um problema concreto por trás da busca: uma demissão, separação, cobrança, conflito empresarial, questão previdenciária, processo judicial ou outra situação que exige orientação jurídica.
Nesse contexto, a pessoa tenta descobrir se determinado profissional parece adequado para cuidar do seu caso. Área de atuação, clareza das informações, localização, disponibilidade e confiança transmitida pela presença profissional são alguns dos elementos que podem influenciar essa avaliação.
Entender essa intenção é importante para escritórios que desejam melhorar sua presença digital sem transformar a comunicação jurídica em publicidade incompatível com as regras profissionais.
A pesquisa geralmente começa pelo problema
Muitas pessoas não conhecem exatamente o nome da área jurídica relacionada à situação que enfrentam.
Em vez de pesquisar termos técnicos, podem procurar respostas relacionadas ao próprio problema. Uma pessoa dispensada do emprego pode pesquisar sobre direitos na demissão. Alguém envolvido em uma questão sucessória pode começar procurando informações sobre inventário.
Isso significa que a jornada até a contratação pode começar muito antes de uma busca direta por “advogado”.
Conteúdo jurídico informativo pode ajudar nessa etapa ao explicar conceitos, procedimentos e situações frequentes em linguagem compreensível.
O objetivo não deve ser prometer uma solução, mas ajudar o leitor a compreender melhor o assunto e perceber quando pode ser apropriado procurar orientação profissional individualizada.
Área de atuação é uma das informações mais importantes
Depois de compreender que precisa de assistência, o potencial cliente tende a procurar um profissional relacionado ao problema apresentado.
Uma pessoa com uma questão trabalhista provavelmente terá pouco interesse em um site que apenas informa genericamente que o escritório presta “serviços jurídicos”. Ela precisa descobrir se aquela equipe trabalha com situações semelhantes à sua.
Por isso, apresentar claramente as áreas de atuação facilita a avaliação inicial.
Isso também beneficia o próprio escritório. Quanto mais clara for a comunicação, menor a possibilidade de receber contatos sobre assuntos completamente fora das áreas atendidas.
Clareza é mais útil do que excesso de termos técnicos
Um site jurídico não precisa funcionar como um tratado acadêmico.
Expressões técnicas são inevitáveis em determinados conteúdos, mas podem ser acompanhadas de explicações acessíveis. O visitante precisa entender o que está lendo para decidir se aquela informação tem relação com sua situação.
Demonstrar conhecimento não exige tornar a linguagem desnecessariamente complicada.
O potencial cliente procura sinais de confiança
Contratar um advogado pode envolver compartilhar documentos, informações financeiras, conflitos familiares, dados empresariais e outros elementos sensíveis.
É natural, portanto, que confiança tenha um papel importante na escolha.
Antes de entrar em contato, o visitante pode procurar informações sobre quem são os profissionais, quais áreas atendem, onde o escritório está localizado e como funciona o atendimento.
Uma apresentação profissional consistente reduz incertezas.
No ambiente digital, páginas incompletas, informações contraditórias ou dados de contato difíceis de encontrar podem criar dúvidas antes mesmo da primeira conversa.
Informações sobre o profissional também são relevantes
A identificação adequada do advogado é especialmente importante na comunicação jurídica.
Informações profissionais verificáveis ajudam o potencial cliente a saber com quem está entrando em contato. Dependendo da página e da finalidade, podem ser apresentados nome, informações profissionais pertinentes e áreas de atuação, sempre observando as normas aplicáveis à publicidade na advocacia.
O Conselho Federal da OAB estabelece regras específicas para publicidade e informação na advocacia. O Provimento nº 205/2021 determina, entre outros pontos, que o marketing jurídico deve respeitar critérios éticos e que a publicidade profissional deve possuir caráter informativo, com discrição e sobriedade, sem captação de clientela ou mercantilização da profissão.
Portanto, existe uma diferença relevante entre tornar as informações profissionais fáceis de encontrar e utilizar estratégias promocionais incompatíveis com essas regras.
Localização ainda influencia muitas pesquisas
Mesmo com o crescimento das consultas remotas, localização continua sendo um critério importante em determinadas situações.
Pesquisas combinando serviço e cidade são comuns justamente porque algumas pessoas preferem conversar presencialmente ou querem encontrar um profissional que atenda determinada região.
Para escritórios com atendimento físico, manter endereço, formas de contato e horários corretamente informados ajuda o potencial cliente a entender como o serviço funciona.
Para quem também realiza atendimentos online, essa possibilidade pode ser explicada de maneira objetiva, evitando que o visitante precise entrar em contato apenas para descobrir se uma consulta remota está disponível.
Facilidade de contato pesa na experiência
Depois de encontrar um profissional aparentemente adequado, o próximo obstáculo pode ser simplesmente descobrir como falar com ele.
Telefone, formulário, e-mail ou outros canais profissionais devem ser encontrados com facilidade. Não é necessário oferecer todos os meios existentes, mas aqueles divulgados precisam fazer parte de um processo que o escritório consiga administrar.
Um erro comum é disponibilizar muitos canais e acompanhar alguns deles de maneira irregular.
Nesse cenário, simplificar pode ser melhor.
O visitante também se beneficia quando sabe o que acontecerá depois do contato. Informar de maneira objetiva como funciona o agendamento ou a triagem inicial reduz incertezas sem necessidade de prometer atendimento imediato.
Conteúdo ajuda o cliente a avaliar conhecimento e comunicação
Artigos, perguntas frequentes e páginas explicativas podem exercer outra função além de atrair visitantes por mecanismos de pesquisa.
Eles permitem que uma pessoa tenha contato com a maneira como o escritório explica assuntos jurídicos.
Um artigo sobre inventário, por exemplo, pode esclarecer conceitos básicos e situações em que determinadas particularidades exigem análise individual. Um conteúdo trabalhista pode explicar uma questão recorrente sem afirmar antecipadamente qual será o resultado de um caso específico.
Essa abordagem oferece informação útil e, simultaneamente, demonstra como o profissional comunica assuntos complexos.
Conteúdo deve responder perguntas reais
Produzir dezenas de textos genéricos somente para incluir palavras-chave tende a criar páginas pouco úteis.
Uma estratégia editorial mais consistente parte das dúvidas efetivamente relacionadas às áreas de atuação do escritório.
Perguntas recebidas durante consultas podem revelar temas relevantes, desde que nenhuma informação confidencial de clientes seja exposta.
Cada conteúdo pode responder uma questão específica com profundidade suficiente para que o leitor termine a leitura entendendo melhor o assunto.
O cliente também procura entender custos e funcionamento
Antes de entrar em contato, algumas pessoas querem saber quanto custará o serviço. Outras procuram compreender se existe consulta, quais documentos serão necessários ou quanto tempo determinada situação pode levar.
Nem todas essas perguntas possuem uma resposta única.
Honorários podem depender do serviço, da complexidade, da forma de contratação e das regras profissionais aplicáveis. Prazos de processos também podem depender de fatores que não estão sob controle do advogado.
Nessas situações, é melhor explicar como determinado aspecto funciona do que criar uma expectativa que talvez não possa ser cumprida.
Transparência não significa necessariamente publicar um valor para todo serviço. Significa evitar informações que induzam o potencial cliente a conclusões incorretas.
Promessas de resultado são um sinal problemático
Uma pessoa preocupada com um problema jurídico naturalmente deseja segurança. Isso pode tornar frases como “causa garantida” ou promessas semelhantes particularmente atraentes.
Na advocacia, entretanto, resultados jurídicos podem depender de provas, fatos, decisões judiciais, atuação da parte contrária e diversas outras circunstâncias.
Além do problema de criar expectativas inadequadas, a comunicação profissional dos advogados está submetida às regras éticas da OAB.
Uma presença digital confiável deve explicar possibilidades e procedimentos sem transformar resultados incertos em garantias.
Reputação digital pode fazer parte da pesquisa
É comum que consumidores pesquisem um profissional em diferentes ambientes antes de tomar uma decisão. Na advocacia, porém, qualquer estratégia destinada a construir presença ou reputação digital precisa respeitar as limitações éticas da profissão.
O Provimento nº 205/2021 permite marketing de conteúdos jurídicos dentro dos critérios estabelecidos pela OAB e disciplina aspectos como publicidade ativa e passiva, utilização de redes sociais e ferramentas tecnológicas.
Por isso, técnicas comuns em outros mercados não devem ser simplesmente reproduzidas em um escritório de advocacia sem avaliar sua compatibilidade com as normas profissionais.
O site precisa responder às perguntas essenciais
Um visitante não deveria precisar navegar por inúmeras páginas para descobrir informações básicas.
Uma presença digital jurídica bem organizada tende a deixar claras questões como quem atende, quais são as áreas de atuação, quais conteúdos podem ajudar na compreensão do problema, onde o escritório está localizado quando houver atendimento presencial e quais são os canais disponíveis para contato.
Essas informações também ajudam mecanismos de pesquisa a compreender melhor o conteúdo das páginas.
Para SEO, páginas específicas e realmente úteis costumam fazer mais sentido editorial do que repetir diversas variações superficiais da mesma palavra-chave.
Diferentes pesquisas representam diferentes momentos
Nem toda pessoa que chega ao site está pronta para contratar um advogado.
Alguém pesquisando “o que é inventário” pode estar apenas tentando compreender um conceito. Quem procura “documentos necessários para inventário” apresenta uma necessidade mais específica. Já uma busca relacionada a um advogado que atue nessa matéria e em determinada região pode indicar uma intenção diferente.
Produzir conteúdo considerando esses diferentes momentos permite construir uma presença digital mais útil.
O artigo informativo esclarece uma dúvida. A página da área de atuação apresenta o trabalho desenvolvido pelo escritório. A página institucional identifica os profissionais. A área de contato explica como iniciar uma conversa.
Cada página cumpre uma função própria.
No fim, quem pesquisa um advogado procura principalmente reduzir incertezas. A pessoa quer descobrir se encontrou um profissional adequado para o tipo de problema que possui e se existem razões suficientes para iniciar um contato. Uma presença digital clara, informativa e profissional facilita essa decisão sem depender de exageros comerciais. Para escritórios, compreender esse comportamento também ajuda a produzir páginas mais úteis, receber contatos mais alinhados às áreas atendidas e utilizar o marketing jurídico de forma mais consistente com as regras da profissão.
Fontes consultadas
- Conselho Federal da OAB, Provimento nº 205/2021, que regulamenta a publicidade e o marketing jurídico.
- Conselho Federal da OAB, Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, especialmente as disposições relacionadas à publicidade profissional.
